sexta-feira, 12 de outubro de 2007



Memórias de meus dez anos


Há pouco, tentei construir uma historia de amor, não sei construir historias de amor, tento às vezes, mas sou tão piegas, tão piegas, que prefiro escrever isso aqui. Não sei do que se trata, escrevo, sem muito me podar descarrego. Também não tenho boa retórica, mesmo se tivesse não seria falante, sou calado, sisudo às vezes, então escrevo, pego-me com a caneta na mão, e solto.
Desde os dez anos que escrevo, estava na quarta serie, gostava da Ana, a menina que dividia a mesa comigo, não conversávamos muito, quer dizer, não conversávamos nada, escrevia para ela poemas, rimas pobres, mas puras, nunca as entreguei, ficava com medo. Uma coisa que eu sempre tive, medos, continuo os tendo, mas agora os controlo, ou pelo menos, disfarço.
A Ana, me traz a memória Vera, minha namorada, hoje não tenho namorada, a Vera é minha ex, não gosto mais dela, na verdade nunca gostei, ficava com ela por comodidade, por habito talvez, gostava mesmo era da Ana, lembro-me até hoje.
De tempo em tempo, volto ao colégio na esperança de revê-la, não mais a vi, ou se vi, não reconheci, ainda bem, vai que ela está feia? Tenho a lembrança dela bonita, morena, voz macia tirando dúvidas com a professora, também muito bonita a professora. Não sei o que acontecia mas, sempre que estavam juntas, a Ana e a professora, trocavam risadas tímidas ambas, que me deixava alegre, e poderia passar um dia vendo aquilo. Nunca falou comigo, a Ana, e eu, nunca entreguei os poemas.
Depois da Ana, entreguei todos os textos que escrevi, eram poemas, cartas, todos ficavam encantados, namorei varias garotas por influencia de meus escritos, não que eu tenha talento mas, as meninas gostavam deles, achavam romântico, carinhoso, sensível, sei lá. Não gostei de nenhuma dessas garotas, só gostei da Ana, mas, à Ana, não entreguei os poemas.
Joao Pedro Prado.

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