
Viúva negra
As gotas, uma a uma, molhavam-te o rosto suavemente, espetáculo sobrenatural, éramos nós na chuva torrencial, precipitação que ao tocar sua camisa clara, desnudava-a, seus seios à mostra, encoberto pela fina camada de tecido encharcado, fazia-me transbordar pensamentos obscenos, mas não vulgares, não torpes.
Aproximava-me de ti, sem eufemismos ou superlativos eu estava lá, presente, errante, carnal e eterno. Em segundos taquicardia, podia sentir o suor misturar-se com a límpida água da chuva que pairava sobre minha pele, pousava em minha boca, e o gosto salgado trazia-me, não sei porque, algo velho, temperado, equilibrado, morno. Não fui capaz de perceber a distancia diminuir, quando vi, minhas mãos sôfregas e quentes conduziam-te a um prazer efêmero, causal, seu pulso pululava inconstante, sua respiração nada mais era do que um oscilar temporário, originário de baixos ruídos que só eu, conivente, cúmplice, podia ouvir. Meus beijos beliscavam-te, sua bela cicatriz infantil nos lábios, era minha, vigoroso dispus a ti, no derradeiro momento, uma precipitação embalsamada, o brado de prazer fez-se sincero, ambíguo, mutuo, você ruidosa produzia alaridos angelicais, frases monossilábicas, eloqüentes. Extasiado, por um momento inerte, passei a nota-la por completo, cada detalhe, cada pedaço, do mais aparente ao mais oculto, gostava de ver-te dormir de boca aberta, completava um cigarro, e mais outro, não seria capaz de cometer a heresia de acordar-te, nem tão pouco me deixaria contente se a natureza, desrespeitosa, traquina, num rompante de notabilidade, te despertasse.
Tinha a pouco conhecido o paraíso, antes de ti dizia-me, por convicção e sentimento, materialista, ateu, agora tenho religião, você. Ajoelho-me diante de sua imagem, sou súdito, fiel. Tenha misericórdia do pobre que, ao seu lado, implora para transformar em eterno este momento, petrifica-me aqui junto a ti, eterniza-me, apresenta-me as divindades como companheiro, biscate, brincadeira ou nada. Tenha-me como furtivo ou às claras, esporádico, cotidiano. Tenha-me, não em memória, eu quero o palpável, quero poder novamente, deslizar novamente, beijar novamente, quero correr o risco, o novo, a lua cheia, os dias de sol maduro, os motéis baratos nas noites quentes, mais chuva, sentir outra vez sua respiração ofegante, seu palpitar confuso, o salgado do suor em nossos lábios, o cigarro depois do coito e, o indescritível prazer de ver-te dormir. Quero você. Mata-me de amor viúva negra.
As gotas, uma a uma, molhavam-te o rosto suavemente, espetáculo sobrenatural, éramos nós na chuva torrencial, precipitação que ao tocar sua camisa clara, desnudava-a, seus seios à mostra, encoberto pela fina camada de tecido encharcado, fazia-me transbordar pensamentos obscenos, mas não vulgares, não torpes.
Aproximava-me de ti, sem eufemismos ou superlativos eu estava lá, presente, errante, carnal e eterno. Em segundos taquicardia, podia sentir o suor misturar-se com a límpida água da chuva que pairava sobre minha pele, pousava em minha boca, e o gosto salgado trazia-me, não sei porque, algo velho, temperado, equilibrado, morno. Não fui capaz de perceber a distancia diminuir, quando vi, minhas mãos sôfregas e quentes conduziam-te a um prazer efêmero, causal, seu pulso pululava inconstante, sua respiração nada mais era do que um oscilar temporário, originário de baixos ruídos que só eu, conivente, cúmplice, podia ouvir. Meus beijos beliscavam-te, sua bela cicatriz infantil nos lábios, era minha, vigoroso dispus a ti, no derradeiro momento, uma precipitação embalsamada, o brado de prazer fez-se sincero, ambíguo, mutuo, você ruidosa produzia alaridos angelicais, frases monossilábicas, eloqüentes. Extasiado, por um momento inerte, passei a nota-la por completo, cada detalhe, cada pedaço, do mais aparente ao mais oculto, gostava de ver-te dormir de boca aberta, completava um cigarro, e mais outro, não seria capaz de cometer a heresia de acordar-te, nem tão pouco me deixaria contente se a natureza, desrespeitosa, traquina, num rompante de notabilidade, te despertasse.
Tinha a pouco conhecido o paraíso, antes de ti dizia-me, por convicção e sentimento, materialista, ateu, agora tenho religião, você. Ajoelho-me diante de sua imagem, sou súdito, fiel. Tenha misericórdia do pobre que, ao seu lado, implora para transformar em eterno este momento, petrifica-me aqui junto a ti, eterniza-me, apresenta-me as divindades como companheiro, biscate, brincadeira ou nada. Tenha-me como furtivo ou às claras, esporádico, cotidiano. Tenha-me, não em memória, eu quero o palpável, quero poder novamente, deslizar novamente, beijar novamente, quero correr o risco, o novo, a lua cheia, os dias de sol maduro, os motéis baratos nas noites quentes, mais chuva, sentir outra vez sua respiração ofegante, seu palpitar confuso, o salgado do suor em nossos lábios, o cigarro depois do coito e, o indescritível prazer de ver-te dormir. Quero você. Mata-me de amor viúva negra.
Joao Pedro Prado.
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